Como tem sido a sua relação com o TEMPO? Aliás, você já parou para responder à seguinte pergunta: o que é o tempo?
Sobre isso, Santo Agostinho disse:
“Se ninguém me pergunta, eu sei. Mas, se eu quiser explicar a alguém que me pergunta, eu não sei”.
Para mim (e para muitos), o tempo é uma abstração e, por isso, estaria mais no campo de uma cosmovisão que o sente e que o percebe pelos sinais do ambiente e das relações estabelecidas.
Enquanto humanidade, “encaixotamos” o tempo em algo mensurável por meio de uma das maiores inovações da história: o relógio, item útil, eficaz e de extrema importância à organização rítmica industrial.
Nesse sentido, uma questão que se levanta é sobre a nossa relação de HUMANOS com uma métrica que estabelece o ritmo de nossa sociedade.
Acho fascinante o ponto de vista do fisiologista e um dos precursores da Cronobiologia, Alain Reinberg, sobre a nossa relação com o tempo mensurável.
Alain afirma:
“Quando ignoramos ou subestimamos a importância da nossa organização temporal e dos nossos ritmos biológicos, quando nos fiamos exclusivamente nos nossos relógios em vez de nos sinais periódicos do nosso ambiente, quando proclamamos que podemos dominar a natureza e controlar o tempo, mutilamos o nosso corpo e o nosso espírito.
Os nossos genes, tal como os dos vegetais e dos outros animais, levam-nos a não tolerar todos os efeitos das manipulações arbitrárias do tempo. Ora, os muitos usos abusivos que fazemos dos relógios eletrônicos ou mecânicos assemelham-se a um comportamento suicida coletivo.”
Exagerado? Não sei, mas acho que não. Naturalmente, não “viemos a ser” pautados em uma métrica organizada em 86.400 segundos por dia. Não é de nossa NATUREZA operarmos biologicamente em tempos tão quantificados. Por exemplo, nossa respiração não tem a mesma duração sempre, seu coração não bate exatamente no mesmo BPM toda vez... Fluímos e reagimos ao ambiente em algo que Reinberg chama de TEMPO VIVO.
Belo, não? Sobre isso, enquanto especialista em criatividade e educador organizacional, afirmo: precisamos repensar e (re)sentir nossa relação com o tempo. Nossa criatividade, a raiz das ideias e da inovação, exige fluir e fruir com o tempo. O excesso de metodismo pautado no tique-taque da cultura da performance está acabando com nossa imaginação, motivação e capacidade genuína de intuir e se vislumbrar.
Nossa Crise Criativa também é uma questão de tempo.
Faz sentido?










































































